Recentemente a humanidade percebeu sua responsabilidade. Os recursos naturais esgotam-se e, definitivamente, só se renovam após um longo período de tempo, condicionadas, naturalmente, a pressupostos espontâneos de equilíbrio, troca e reposição. Nesse viés, tem-se tal discussão, que somente se tornou pertinente a partir dessas constatações a respeito dos resíduos sólidos. Em especifico, no Brasil, a rápida urbanização fez com que surgissem problemas ligados à infra-estrutura e a gestão dos resíduos, ao aproveitamento do potencial energético desses resíduos, bem como ao seu processamento e destinação final. Tal como refere o sociólogo Zygmunt Bauman,

 

 

Para resumir uma longa história: a nova plenitude do planeta significa, essencialmente, uma crise aguda da indústria de remoção do refugo humano. Enquanto a produção de refugo humano segue inquebrantável e atinge novos ápices, o planeta passa rapidamente a precisar de locais de despejo e de ferramentas para a reciclagem do lixo[1]

 

 

Portanto, a pauta referente aos resíduos sólidos – ou, aos nossos “refugos” - é assunto que requer muita atenção de iniciativas públicas, privadas e da própria comunidade, principalmente no que concerne ao manejo seguro e à disponibilização de informações sobre essa categoria de resíduos. Ressalta-se que, tanto como o importante direito ao meio ambiente equilibrado, posicionado no artigo 225 da Constituição Federal de 1988, a saúde é direito fundamental social/transindividual e encontra-se explicitado como “direito de todos” e “dever do Estado” no artigo 196 do mesmo diploma legal. Tais direitos dependem diretamente do adequado aproveitamento e destinação dos resíduos sólidos, visto que a poluição do solo, da água dos mares, rios e lagos, bem como dos lençóis freáticos e do ar pelos resíduos traz risco imediato ao meio ambiente e consequentemente à saúde da humanidade.

Feitas tais considerações, no ritmo de outros eventos envolvendo a temática, que alcançam posição de destaque no cenário mundial, e preocupados em imprimir um sentido prático ao termo “sustentabilidade”, o Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Cruz Alta, Rio Grande do Sul, CCSA/UNICRUZ/RS realizará pela primeira vez o “Fórum de Sustentabilidade do Corede Alto Jacuí: o futuro regional no novo contexto socioambiental para resíduos sólidos urbanos”. Tal evento será aberto à participação da Sociedade Regional, incluindo lideranças políticas da região de Cruz Alta e Corede Alto Jacuí, o que possibilitará um intercâmbio de conhecimentos e experiências na Gestão Pública de resíduos sólidos urbanos e, no atendimento aos anseios da população, que deve se conscientizar da sua parcela de responsabilidade e receber a necessária prestação do Estado, na pessoa de seus representantes.

 

Assim, nos dias 13 a 16 de junho de 2011, no Ginásio de Esportes, Campus Universitário Dr. Ulisses Guimarães - Rodovia Municipal Jacob Della Méa, Km 5.6 - Parada Benito - CEP 98.020-290 - Cruz Alta/RS, com o Apoio Institucional da Prefeitura Municipal da Cruz Alta e Universidade de Cruz Alta, e com a Coordenação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade de Cruz Alta, dá-se o primeiro passo para uma série de outros eventos que utilizarão a "sustentabilidade" como temática principal.

A solenidade de abertura oficial se dará em 13 de junho [segunda-feira] a partir das 19h00, contando com a participação de autoridades políticas da região e especialistas na temática e as atualizações serão realizadas através do blog criado para este fim: http://www.forumcoredealtojacui.blogspot.com/

 

Participe!



[1] BAUMAN, Zygmunt. Vidas desperdiçadas. Traduzido por Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005, p. 13.